Da minha janela

Durante o confinamento, a janela tornou-se limite e passagem. A rua, distante, devolve corpos isolados e gestos suspensos. Entre o dentro e o fora, o quotidiano fragmenta-se e o tempo abranda, tornando a realidade estranhamente irreal.

Da minha janela

Durante o confinamento, o mundo reduziu-se a um enquadramento fixo. A rua, antes atravessada, tornou-se imagem — distante, silenciosa, quase intocável.

Deste lugar suspenso, os corpos surgem como aparições: figuras isoladas, sombras alongadas, gestos interrompidos. Há uma estranheza que atravessa cada momento, como se o tempo tivesse abrandado o suficiente para tornar visível a solidão.

A janela deixa de ser apenas limite físico e transforma-se em dispositivo de observação — um intervalo entre o dentro e o fora, entre a presença e a ausência.

Estas imagens não procuram documentar um tempo, mas antes revelar a sua suspensão: um mundo visto à distância, onde o quotidiano se torna fragmento e a realidade, quase irreal.

2022